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sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Projeto Navega Pantanal é destaque no jornal "Correio do Estado" |
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Na última quinta-feira (25), o projeto Navega Pantanal foi tema de uma matéria no jornal Correio do Estado. O projeto foi destaque na capa e ocupou uma página inteira do jornal. Com o título "Isolados, mas conectados", a matéria mostrou pontos positivos do projeto que está mudando a vida da comunidade pantaneira de forma positiva.
Confira trechos da matéria:
Isolados, mas conectados
Quando o peão pantaneiro teve acesso ao radinho de pilha nos anos 60 do século 20, levando-o consigo na dura lida do campo, a mudança de comportamento foi radical. Em cartas aos filhos, que estudavam no Rio de Janeiro, os fazendeiros relatavam, preocupados, a nova moda: o cabelo comprido, imitando o cantor Roberto Carlos. Agora no terceiro milênio, as rodas de tereré certamente não serão as mesmas com a chegada da era digital aos recantos mais remotos do Pantanal. Regiões como o Paraguai-Mirim, onde funciona uma escola Municipal na barranca do Rio Paraguai, a 190 quilômetros por água ao norte de Corumbá, hoje estão conectadas via satélite com o mundo. (...) "O peão volta do campo e não mais se reúne no galpão, mas na sala do computador" diz o cantor e violeiro Almir Sater. Em sua fazenda Campo Novo, em Aquidauana, funciona uma das 20 bases informatizadas do programa integrada à escola pantaneira. "O Navega Pantanal trouxe um mundo novo para a comunidade pantaneira. É um sonho realizado". Segundo Sater a ferramenta está melhorando a auto-estima dos moradores da maior planície alagada do mundo (...) Junto com a tecnologia, o programa apoiado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é uma fonte de conhecimento para toda a comunidade. Além da internet, peões e ribeirinhos têm acesso as cartilhas eletrônicas e vídeos didáticos com acompanhamento de professores capacitados (...) No pique da cheia no Pantanal, em julho, a professora Eliene Urtiga, coordenadora do núcleo das águas da Secretária de Educação de Corumbá, resolveu em segundos uma situação emergencial , pela internet, que a obrigaria a navegar 3 horas de barco até a escola do Paraguai-Mirim. Eliene estava em outra base, a de Porto Esperança, no extremo sul, e usando o sistema do Navega Pantanal sanou dúvidas quanto ao recesso das aulas por causa da ameaça de inundação no prédio da escola. "Ficou tudo mais fácil com a chegada da tecnologia digital à região", diz ela, acostumada as dificuldades de comunicação com sua rede de dez escolas pantaneiras. O contato on line com a escola, em uma distância de pelo menos 350 quilômetros por água e sem sinal de telecomunicação, evitou grandes transtornos àquela comunidade. Mais do que isso, a chegada do computador àqueles confins, segundo Eliene, reduziu gastos públicos com transporte, melhorou a gestão do núcleo e, sobretudo, deu uma sacudida na auto-estima dos professores, alunos e comunidade. "A nova ferramenta desperta mais interesse dos jovens, o que é natural", conta. "Vem acontecendo uma transformação na vida deles. O computador abriu novos horizontes com a descoberta de um mundo que não imaginavam". As professoras que relutavam em trabalhar na região por causa do isolamento, segundo ela, hoje estão matriculadas em faculdades interativas na área da pedagogia (...) "Quando o computador chegou parecia algo de outro mundo", diz Cely Jane Pereira, professora da extensão rural de Porto Esperança, onde, à beira do Rio Paraguai, o sinal de telefone, rádio e TV é limitado apesar de situar-se a 85 quilômetros de Corumbá. "Os alunos aprenderam rapidinho. O computador enche a vida deles, melhorou o ensino, a auto-estima". Descoberta e satisfação que não diferenciam outra região isolada pela água. Como no histórico Forte Coimbra, mantido pelo Exército, onde a energia e o telefone chegaram no final do século 20. Ali, os 95 alunos da Escola Ludovino Porto Carrero dividem a base com capatazes das fazendas, ribeirinhos e a comunidade formada por civis e militares. "A chegada do programa mudou o comportamento dos moradores, pensamos mais coletivamente", atesta o professor e diretor da escola, Adriano Ortigoza, há 23 anos na vila.
Fonte: ASCOM FMB |
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